quinta-feira, 26 de junho de 2014

Contexto Bíblico: Laodicéia

(Apocalipse 3: 14-22 - Carta à Igreja de Laodicéia)


Laodicéia (ou, Laodicéia no Lico) foi uma cidade importante da Ásia Menor, localizada no Vale do Rio Lico (que desagua no Rio Meandro). Foi fundada em aproximadamente 250a.C com o nome de Diospolis (cidade de Zeus), sendo seus primeiros habitantes, além dos nativos da área e gregos helenizados, também provavelmente soldados veteranos do exército sírio. O nome Laodicéia é uma homenagem à esposa do rei sírio Antíoco II Teos. Era parte do reino de Pérgamo, até que em 133a.C. tornou-se uma província do Império Romano.

rio_lico
Rio Lico

Cruzamento entre as importantes estradas romanas que ligavam Éfeso (capital da província, 160km ao oeste) até o Rio Eufrates, de oeste a leste, e Sardes à Pergamo, de norte a sul, era uma importante rota comercial, centro bancário e financeiro (uma das cidades mais ricas do mundo antigo); tornou-se rapidamente tão rica que, quando um terremoto a arrasou em 60d.C., seus habitantes negaram-se a receber auxilio do império para reconstruí-la, refazendo-a com recursos próprios.

Essa província romana era uma próspera colônia judia (duas mil famílias judias, oriundas da Babilônia e da Mesopotâmia, foram enviadas para lá por Antíoco, o Grande, séculos antes do cristianismo chegar à cidade), famosa também por sua manufatura de macia e negra lã, em contraste com a excelente lã vermelha produzida em Colossos, localizada 16km ao leste. Aproximadamente 10km ao norte estava Hierápolis, com suas fontes terapêuticas de águas termais.

Outro ponto forte da cidade era a medicina, responsável pela criação do pó frigio, um eficiente colírio, capaz de curar várias doenças oftalmológicas, o que despertava o interesse de vários povos, que vinham de vários lugares em busca do poderoso remédio.

O abastecimento de água era feito por meio de aquedutos ligados a Colossos, terra de fontes de águas frias e refrescantes - nenhuma cidade do Vale do Rio Lico era tão dependente de fornecimento externo de água quanto Laodicéia. Porém, a água chegava à cidade morna devido ao transporte e era demasiadamente concentrada de minerais ao ponto de tornar-se nauseante quando consumida. Para tentar amenizar este problema os engenheiros romanos criaram aberturas fechadas com pedras nos aquedutos, para que pudessem ser limpos periodicamente.

O cristianismo chegou à Laodicéia na segunda metade do primeiro século em virtude das viagens missionárias de Paulo, embora alguns teólogos defendam que ele jamais esteve presente nas cidades do Vale do Rio Lico (ainda que estivesse informado a cerca do que acontecia na região). Aceita-se que Laodicéia tenha sido evangelizada por Epafras, que, assim como Filemon, era natural de Colossos - e que teria sido o responsável pela evangelização de todo o Vale do Rio Lico. Epafras teria tornado-se discípulo de Paulo quando este morou (e esteve preso) em Éfeso.

Conforme Colossenses 4:16, o apóstolo Paulo teria escrito uma carta os laodicenses, alguns teólogos porém, afirmam que a carta citada no texto bíblico seria uma circular, distribuída à toda região, a qual hoje conhecemos como Epístola aos Efésios.

No século IV tornou-se a sede episcopal da Ásia Menor. Em 361d.C. ocorreu na cidade o Concilio de Laodicéia, um dos muitos concílios responsáveis por dar forma à Bíblia como a conhecemos atualmente. A cidade de Laodicéia foi destruída e abandonada durante as guerras entre muçulmanos na Idade Média. As ruínas da cidade estão em território turco, próximo da cidade de Denizli.

Ruínas de Laodicéia

Um comentário :

  1. Realmente é uma região histórica muito importante (7 igrejas do apocalipse)
    As água vermelhas do Rio Licus, ricas em sais minerais, sobretudo em ferro
    podem explicar a cor escura da macia lã das ovelhas que destas águas bebiam, dizem os historiadores e guias turísticos da Turquia. Bem citado, Laudicéia foi importante centro da medicina antiga, o primeiro colírio do mundo e os ricos comerciantes locais criaram o primeiro sistema bancário tal como conhecemos hoje, pois o comércio era imenso. O mercadores do
    oriente que passavem nesta rota traziam especiarias e pedras preciosas e
    retornavam com o cobiçado colírio e tecidos da escura lã. A industria textil
    é muito intensa na região, como se vê as várias fábricas ao longos das
    rodovias. Jonatas Reichert

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